Na manhã desta sexta-feira, 25 de setembro, o SINTRATEL realizou, nas dependências da Actionline, um encontro com supervisores (as) da empresa para discutir um tema cada vez mais importante nas relações de trabalho: a prevenção e o enfrentamento ao assédio moral e sexual e os impactos das condições de trabalho sobre a saúde mental dos (as) trabalhadores (as).
A iniciativa integra a atuação preventiva do Sindicato, que defende que a discussão sobre assédio não deve acontecer apenas depois que um problema ocorre. É preciso informar, orientar, prevenir e criar mecanismos capazes de impedir a repetição de situações abusivas, contribuindo para um ambiente de trabalho saudável, respeitoso, seguro e harmonioso para trabalhadores (as), operadores (as), supervisores (as) e gestores (as).
Participaram do encontro o diretor do SINTRATEL responsável pelas Relações Trabalhistas e Acordos Coletivos, Alberto Paiva, o advogado do Sindicato, Dr. Leandro Deksnys, e Gabriel Fazzio, Auditor-Fiscal do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Também participou Dra. Adriana Carreira, da Actionline.
Gabriel Fazzio destaca relação entre assédio e saúde mental
Um dos principais momentos do encontro foi a participação do Auditor-Fiscal do Trabalho Gabriel Fazzio, que abordou a importância da prevenção e da atuação do Ministério do Trabalho e Emprego diante dos riscos presentes nas relações de trabalho.
Gabriel destacou que situações de assédio estão entre os fatores que podem contribuir para o aparecimento ou agravamento de problemas relacionados à saúde mental, reforçando a necessidade de que empresas, trabalhadores (as), operadores (as) e supervisores (as) estejam atentos aos chamados riscos psicossociais presentes no ambiente profissional.
O Auditor-Fiscal também abordou a NR-1 e as mudanças relacionadas à atenção aos fatores de risco psicossociais no ambiente de trabalho. A discussão mostrou que a saúde dos (as) trabalhadores (as) não pode ser analisada apenas a partir dos riscos físicos existentes no local de trabalho. Pressão excessiva, assédio, discriminação, violência, cobranças inadequadas e outras formas de organização do trabalho também precisam ser consideradas na prevenção.
A participação de Gabriel também reforçou a importância de uma atuação conjunta entre trabalhadores (as), operadores (as), supervisores (as), empresas, sindicatos e órgãos públicos, especialmente na identificação dos riscos e na adoção de medidas preventivas.
SINTRATEL defende atualização das normas diante das novas tecnologias
Alberto Paiva destacou as profundas transformações pelas quais passa o setor de telemarketing, especialmente com o avanço tecnológico e a chegada da inteligência artificial.
O diretor informou que o SINTRATEL está em processo de atualização e discussão do Anexo II da NR-17, para que a regulamentação acompanhe as mudanças ocorridas no setor.
Alberto lembrou que, quando o Anexo II da NR-17 foi construído, o atendimento aos consumidores por meio das redes sociais ainda não fazia parte da realidade do telemarketing na dimensão em que ocorre atualmente. Hoje, novas plataformas, ferramentas tecnológicas e formas de atendimento fazem parte da rotina dos (as) trabalhadores (as) e operadores (as).
Por isso, segundo o dirigente, é necessário atualizar a norma e discutir as novas realidades do setor, considerando também os impactos dessas transformações sobre a saúde e as condições de trabalho dos (as) trabalhadores (as).
Alberto também convidou os (as) supervisores (as) a participarem desse processo, ressaltando que eles (as) podem e devem procurar o Sindicato para apresentar situações, sugestões ou temas que chamem sua atenção no cotidiano das operações.
A intenção é ampliar o diálogo e permitir que o SINTRATEL conheça as transformações que acontecem dentro das empresas e possa contribuir para a construção de soluções que beneficiem trabalhadores (as), operadores (as) e supervisores (as).
O diretor lembrou ainda que importantes avanços foram conquistados pela categoria ao longo dos anos. Problemas como LER/DORT e doenças relacionadas à voz e à audição, que apresentavam incidência muito maior no passado, foram reduzidos com mudanças nas condições de trabalho e conquistas da organização sindical, entre elas o Anexo II da NR-17. Alberto ressaltou, entretanto, que esses problemas não desapareceram e continuam exigindo atenção e prevenção permanente.
Cobrança não pode se transformar em violência
O Dr. Leandro Deksnys abordou os impactos das novas formas de organização do trabalho sobre a saúde mental dos (as) trabalhadores (as).
“As ferramentas que são usadas por todos nós, principalmente aqui no ambiente de trabalho, levam para uma maior ansiedade, cobrança e menos tempo para pensar em qualquer coisa, porque tanto na vida pessoal quanto profissional estamos conectados.”
O advogado também chamou atenção para a forma como são realizadas as cobranças no telemarketing. O problema não está simplesmente na existência da cobrança por resultados, mas na maneira como ela é feita e direcionada aos (às) trabalhadores (as) e operadores (as).
Quando a cobrança é acompanhada de discriminação relacionada à origem, gênero, raça, religião ou outras características pessoais, a relação profissional pode ultrapassar os limites do respeito e produzir situações de violência e assédio contra trabalhadores (as) e operadores (as).
Alberto Paiva também recordou uma situação relatada pela Dra. Margarida Barreto, médica e professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, sobre práticas existentes há cerca de duas décadas, quando supervisores (as) utilizavam martelinhos de carnaval para bater na cabeça dos (as) operadores (as), sob o argumento de que aquilo seria uma forma de “motivação”.
O exemplo demonstra como determinadas práticas podem ser naturalizadas dentro de ambientes de trabalho e, posteriormente, reconhecidas como formas de violência e assédio.
Fim da escala 6x1 também entra na discussão sobre saúde
Durante o encontro, o SINTRATEL também relacionou a discussão sobre saúde mental às condições de jornada dos (as) trabalhadores (as).
Para o Sindicato, o enfrentamento das doenças e dos riscos psicossociais passa também pela discussão sobre a jornada de trabalho, incluindo a luta pelo fim da escala 6x1.
Na avaliação defendida pelo SINTRATEL, ampliar o tempo de descanso e de convivência social e familiar e reduzir a sobrecarga provocada por jornadas desgastantes fazem parte de uma agenda mais ampla de promoção da saúde e melhoria da qualidade de vida dos (as) trabalhadores (as).
O fim da escala 6x1, portanto, também é apresentado pelo Sindicato como uma medida relacionada à prevenção dos riscos psicossociais, ao combate à sobrecarga e à construção de relações de trabalho mais saudáveis para trabalhadores (as) e operadores (as).
Actionline reforça canais de denúncia
Durante o encontro, a Dra. Adriana Carreira, da Actionline, lembrou que a empresa possui canais de denúncia para que situações ocorridas no ambiente de trabalho possam ser comunicadas por trabalhadores (as), operadores (as) e supervisores (as).
Segundo ela, quando a empresa recebe uma denúncia, a situação é averiguada e são buscadas soluções para o caso apresentado.
O SINTRATEL reforçou que os (as) trabalhadores (as) também podem recorrer aos canais de denúncia do Sindicato, que são sigilosos, para relatar situações de assédio, discriminação ou outras ocorrências relacionadas às condições de trabalho.
Prevenir é também uma forma de combater o assédio
Para o SINTRATEL, levar esse debate diretamente aos (às) supervisores (as) faz parte de uma política permanente de prevenção.
O objetivo não é esperar que o assédio aconteça para depois agir. É necessário identificar riscos, orientar gestores (as) e trabalhadores (as), estimular o diálogo, fortalecer os canais de denúncia e construir ambientes em que o respeito seja uma regra.
Respeito não é favor, benefício ou privilégio. É direito.
E, diante das transformações tecnológicas, das novas formas de organização do trabalho e dos desafios relacionados à saúde mental, o SINTRATEL reforça que prevenção, diálogo, fiscalização, atualização das normas e organização dos (as) trabalhadores (as) são instrumentos fundamentais para construir um telemarketing mais saudável, respeitoso e humano.






