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Foto: https://unsplash.com/photos/3IxuF9MCjkA

Aumento desse contingente é visto por economistas como um sinal da fragilidade do mercado de trabalho depois de quase dois anos de pandemia

 

O número de trabalhadores subocupados na pandemia atingiu o recorde de 7,543 milhões no segundo trimestre de 2021, um crescimento puxado principalmente por quem trabalha por conta própria e por empregados domésticos sem carteira. Os dois grupos responderam por 70% dos quase 2 milhões de pessoas a mais nessa condição em relação a igual período de 2020, segundo estudo da LCA Consultores. Quando se analisa por grau de instrução, há forte influência dos trabalhadores com ensino fundamental incompleto e com ensino médio completo, mas também se vê aumento entre aqueles com superior completo.

Subocupados são os que trabalham menos tempo do que gostariam, com jornadas inferiores a 40 horas por semana. Economistas dizem que a forte expansão do grupo reflete, ao mesmo tempo, a fragilidade do mercado e também o início de uma reação, que por enquanto se dá entre empregos de menor qualidade. A proporção dos subocupados em relação ao total dos ocupados passou de 6,7% no segundo trimestre de 2020 para 8,4% no mesmo período de 2021. Nesse período, havia ainda 14,4 milhões de desempregados.

“O público de subocupados por insuficiência de horas é formado principalmente por trabalhadores informais. Com tantas vagas perdidas no mercado, as pessoas acabam aceitando trabalho com jornadas menores e até qualificação menor, já que precisam recompor renda, pagar as contas, especialmente com o avanço da inflação”, diz Bruno Imaizumi, economista responsável pelo levantamento.

Com 56 anos, Solange Moraes está subocupada. Antes da pandemia, trabalhava como faxineira todos os dias da semana. Com receio de contágio, os patrões idosos dispensaram seu trabalho. Hoje, só mantém a atividade em uma casa, complementando a renda com o que recebe de uma das filhas para cuidar do neto nos fins de semana.

 

Fonte: Valor Econômico

Fernando Henrique Cardoso, ex presidente da República e Bruna Brelaz, presidente da UNE

Conforme noticiado por Coluna do Estadão, pelos jornalistas Alberto Bombig e Matheus Lara, centrais sindicais saíram em defesa de Bruna Brelaz, presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes), que tem sido alvo de ataques da esquerda nas redes sociais por dialogar com lideranças como FHC e Ciro Gomes pelo impeachment de Bolsonaro, como mostrou a Coluna.

“Só construiremos este país com diálogo”, disse Ricardo Patah, da UGT. Miguel Torres, da Força Sindical, foi na mesma linha: “As palavras da frente contra Bolsonaro são diálogo e democracia. Com o andar do caminhão, as abóboras se acomodam”.

As críticas endereçadas a Bruna Brelaz, presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), ilustram à perfeição as dificuldades pela esquerda na formação da tal “frente ampla” contra Jair Bolsonaro. Desde que passou a manter agendas públicas com líderes do centro ou adversários de Lula, ela virou alvo. Nesta semana, Bruna Brelaz esteve com FHC (PSDB). Ainda em setembro, com Ciro Gomes (PDT) e, no último dia 12 , subiu no caminhão de som do MBL em ato contra Bolsonaro na Paulista. À Coluna, ela disse ter a “consciência tranquila”.

 

Fonte: Estadão

Foto: Elineudo Meira

Em nota conjunta, centrais dizem: “Das ruas não nos retiraremos até libertar o Brasil deste presidente criminoso”

 

As centrais sindicais CUT, Força Sindical, UGT, CTB, NCST, CSB, CSP-Conlutas, Intersindical e Pública, divulgaram uma nota convocando toda a classe trabalhadora para participarem dos atos Fora Bolsonaro, no dia 02 de outubro, em todos os Estados do Brasil, e também em outros países.

“Vamos ocupar as ruas em protesto contra o caos que representa, ao país, ter o mitômano Jair Bolsonaro na Presidência da República: desemprego recorde, fome, carestia, inflação, corrupção, retirada de direitos, desmonte dos serviços públicos e das estatais, ataques à democracia, à soberania e às liberdades, atropelo da ciência e desprezo à vida”, diz o texto.

Os sindicalistas alertam que a cada dia a mais que Bolsonaro acorda como presidente da República, o Brasil afunda, perde e se perde do mundo.

No texto, as lideranças sindicais dizem que já passou da hora do Congresso Nacional atender o clamor popular e acatar a abertura de processo de impeachment para que Bolsonaro seja afastado e seus crimes apurados e julgados. “Já são mais de 130 pedidos engavetados na presidência da Câmara dos Deputados, enquanto o país afunda no lodo presidencial.”

As Centrais Sindicais ocuparão as ruas no 2 de outubro ao lado das mais de 80 entidades representadas pelas Frentes Brasil Popular, Povo Sem Medo, Frente Nacional Fora Bolsonaro e partidos políticos. “Das ruas não nos retiraremos até libertar o Brasil desse presidente criminoso”, finalizam.

CONFIRA A SEGUIR A ÍNTEGRA DA NOTA:

NOTA SOBRE 2 DE OUTUBRO CENTRAIS SINDICAIS CONVOCAM PARA ATO FORA BOLSONARO

Das ruas não nos retiraremos até libertar o Brasil deste presidente criminoso

CUT, Força Sindical, UGT, CTB, NCST, CSB, CSP-Conlutas, Intersindical e Pública, de forma unitária, convocam toda a classe trabalhadora aos atos Fora Bolsonaro, no dia 02 de outubro, em todos os Estados do Brasil, e também em outros países.

Vamos ocupar as ruas em protesto contra o caos que representa, ao país, ter o mitômano Jair Bolsonaro na Presidência da República: desemprego recorde, fome, carestia, inflação, corrupção, retirada de direitos, desmonte dos serviços públicos e das estatais, ataques à democracia, à soberania e às liberdades, atropelo da ciência e desprezo à vida.

Cada dia a mais que Bolsonaro acorda como presidente da República, o Brasil afunda, perde e se perde do mundo, mantendo-se como pária atado à espiral de crises (sanitária, política, econômica, institucional e diplomática) geradas pela incompetência e projeto pessoal de poder de Bolsonaro e da sua inepta equipe de governo. Em um país com 212 milhões de habitantes, cuja maioria, segundo todas as pesquisas, rejeita e desaprova Bolsonaro, é urgente que o Congresso Nacional atenda o clamor popular e acate a abertura de processo de impeachment para que Bolsonaro seja afastado e seus crimes apurados e julgados. Já são mais de 130 pedidos engavetados na presidência da Câmara dos Deputados, enquanto o país afunda no lodo presidencial.

A voz das ruas tem que ser ouvida, e nós seremos essas vozes no 2 de outubro e em todas as datas que vierem, até que Bolsonaro seja afastado para ser julgado pelos crimes que cometeu e comete diariamente contra os brasileiros, até que ele responda pelo genocídio que tirou as vidas de quase 600 mil pessoas na pandemia de Covid-19, pelo desemprego que atinge 100 milhões e pelo desalento que causa miséria e fome.

As Centrais Sindicais ocuparão as ruas no 2 de outubro ao lado das mais de 80 entidades representadas pelas Frentes Brasil Popular, Povo Sem Medo, Frente Nacional Fora Bolsonaro e partidos políticos. Estão convocando aos atos todos os entes e sindicatos de base, em todo o país, para protestar nas ruas, nas praças, além de assembleias e panfletagens nos locais de trabalho e terminais de transporte público. Com segurança e respeito aos protocolos sanitários, uso de máscara e de álcool em gel.

Das ruas não nos retiraremos até libertar o Brasil desse presidente criminoso.

Brasil, 23 de setembro de 2021

Sérgio Nobre Presidente da CUT
Central Única dos Trabalhadores

Miguel Torres
Presidente da Força Sindical

Ricardo Patah
Presidente da UGT- União Geral dos Trabalhadores

Adilson Araújo
Presidente da CTB – Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil

José Reginaldo Inácio
Presidente da NCST – Nova Central Sindical de Trabalhadores

Antonio Neto
Presidente da CSB – Central dos Sindicatos Brasileiros

Atenágoras Lopes
Secretaria Executiva Nacional – CSP-Conlutas

Edson Carneiro Índio
Secretário-geral – Intersindical – Central da Classe Trabalhadora

Emanuel Melato
Coordenação da Intersindical – Instrumento de Luta e Organização da Classe Trabalhadora

José Gozze
Presidente Pública Central do Servidor

Setembro Amarelo é uma Campanha brasileira de prevenção ao suicídio, iniciada no ano de 2015. 

 

O mês de setembro foi escolhido para a Campanha porque, desde 2003, 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.

 

 A ideia é promover eventos que abram espaço para debates sobre suicídio e divulgar o tema alertando a população sobre a importância de sua discussão.

 

No Brasil, o suicídio é considerado um problema de saúde pública e sua ocorrência tem aumentado muito entre jovens. De acordo com números oficiais, 32 brasileiros tiram a própria vida por dia em média, causando mais mortes que a AIDS e a maioria dos tipos de câncer.

 

De acordo com um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2014, o Brasil está em 8° (oitavo) dentre os países com maior número de suicídios, atrás de Índia, China, Estados Unidos, Rússia, Japão, Coreia do Sul e Paquistão.

 

O Rio Grande do Sul tinha a maior taxa, com 10,2 suicídios por cem mil habitantes.

 

No mundo, o suicídio é a terceira causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos e a sétima causa de morte de crianças entre 10 e 14 anos de idade. A OMS também afirma que o suicídio tem prevenção em 90% dos casos. 

 

Sendo tão presente nessa faixa etária, a mesma que compõe grande parte da nossa categoria (90%), Trabalhadores e Trabalhadoras em Telemarketing, essa discussão desperta ainda maior importância. Já que a busca incessante por pontuações e metas, assim como toda forma de controle nos scripts, monitoramentos e a falta de ferramentas, que impossibilitam a real solução dos problemas dos clientes proporcionam doenças psíquicas em nossa categoria, que sofre acometidos de doenças que vão desde a síndrome de burnout, passam pela síndrome do pânico e desencadeiam na depressão, uma das grandes responsáveis pelo grande número de suicídios.

 

Os números relacionados a transtornos de ansiedade e depressão no Brasil são altos. Segundo dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), no dia 23 de fevereiro de 2017, 5,8% da população brasileira sofria de depressão, o que representava 11,5 milhões de brasileiros com a doença. O Brasil é o país com maior prevalência de depressão da América Latina e o segundo com maior prevalência no continente americano, ficando só um pouco atrás dos Estados Unidos.

 

No tocante à ansiedade, o Brasil é o recordista mundial, 9,3% da população sofria com o problema, ainda segundo o mesmo relatório da OMS, ou 18,6 milhões de pessoas, em números absolutos. A média mundial dos casos de ansiedade foi de 3,6%, um número consideravelmente menor. Cabe ressaltar, que muitas pessoas têm tanto ansiedade quanto depressão.

 

Várias causas foram apontadas para explicar o grande número de casos de ansiedade na história recente do país, entre eles a crise econômica de 2014 e a violência nas cidades.

 

Outro ponto que desperta o sinal amarelo em nossa Categoria é que de acordo com uma pesquisa do Ibope, realizada sob encomenda da Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (Abrata), as classes C e D são as mais vulneráveis à depressão. A pesquisa identificou sintomas depressivos em 25% das pessoas desse estrato social, contra 15% das classes A e B. Nas periferias, as doenças mentais são mais estigmatizadas. A exposição a situações de violência pode funcionar como um gatilho para transtornos mentais. 

A dificuldade em se conseguir um atendimento pelo SUS e a falta de uma gama mais ampla de medicamentos fazem com que o problema não seja bem combatido.

 

Segundo a Associação Brasileira de Psicanálise, cerca de 10% dos adolescentes brasileiros sofrem de depressão. 

No mundo, segundo a OMS, são 20%. Porém, no caso dos adolescentes, os sintomas podem ser confundidos com comportamentos típicos da idade, o que devemos combater e identificar pois atrás de muitos rostos sorridentes encontram-se mentes adoecidas e a depressão, além de isolar e criar comportamentos conflitantes, que vão desde trastornos psíquicos até o suicídio.

 

Fique atento! 

Um ombro amigo salva vidas!!!

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (22) o Projeto de Lei 1100/21, dos deputados Wolney Queiroz (PDT-PE) e Dagoberto Nogueira (PDT-MS), que concede isenção do Imposto de Renda para os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão recebidos por pessoa com sequelas da Covid-19. A matéria será enviada ao Senado.

O texto foi aprovado na forma do substitutivo do relator, deputado André de Paula (PSD-PE), segundo o qual a isenção deverá ser concedida com base em conclusão da medicina especializada e valerá mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou concessão da pensão.

Segundo o texto, o benefício valerá a partir de 1º de janeiro do ano seguinte ao de publicação da futura lei.

 

Fonte: Agência Câmara de Notícias

O então presidenciável Jair Bolsonaro logo após ser golpeado por Adélio Bispo de Oliveira. (Imagem: Reprodução/Redes Sociais)

Desde o último fim de semana, o episódio envolvendo a facada sofrida pelo então candidato à presidência da República Jair Bolsonaro em setembro de 2018 na cidade mineira de Juiz de Fora voltou à tona na imprensa. Isso graças ao trabalho do jornalista Joaquim de Carvalho, que liderou a equipe do Brasil 247 que produziu um documentário a respeito do assunto. No ar desde o dia 11 de setembro, a produção intitulada “Uma fakeada no coração do Brasil” contabiliza mais de 800 mil visualizações no YouTube

Diante da audiência, o experiente jornalista, que é finalista do Prêmio Comunique-se 2021 e tem no currículo passagens pelas redações de veículos como Rede Globo, Veja e DCM, comemora a demanda para o consumo de grandes reportagens na internet — afinal, o material tem quase uma hora e 45 minutos de duração. A repercussão não ficou restrita ao público em geral, movimentando também os bastidores do poder. A partir da veiculação do documentário, o deputado Alexandre Frota (PSDB-SP) avisou: vai solicitar a instalação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para analisar o caso da “suposta facada”, como Joaquim de Carvalho refere-se ao ocorrido há três anos.

Em vez de me atacarem, por que não apuram o caso?

Joaquim de Carvalho sobre críticas que recebeu de outros jornalistas

A repercussão do documentário, contudo, não foi apenas positiva. Jornalistas como San Pancher (Metrópoles) e Rafael Moro Martins (The Intercept Brasil) criticaram o conteúdo produzido pelo profissional do Brasil 247. Situação lamentada por Joaquim de Carvalho. “Um retrato da pobreza de setores da nossa imprensa. Em vez de me atacarem, por que não apuram o caso? Acho que é resultado de uma certa inépcia misturada à preguiça. A imprensa ficou muito adjetiva, pouco substantiva. Precisamos fazer renascer a reportagem”, diz em entrevista ao Portal Comunique-se.

Na conversa, aliás, Joaquim de Carvalho cita a imprensa em outros momentos. Na visão dele, por exemplo, houve falha, sobretudo, ao se destacar desde o início da história de que Adélio Bispo de Oliveira, autor da facada contra Bolsonaro, seria um militante da esquerda. Nesse sentido, o material exibido pelo Brasil 247 reforça que Adélio chegou a ser filiado do PSD, partido presidido nacionalmente pelo ex-ministro Gilberto Kassab, e esteve num clube de tiro de Santa Catarina no mesmo dia em que o vereador carioca Carlos Bolsonaro (o filho 02) realizou atividades no local.

Com a parte envolvendo o clube de tiro e admitindo que há perguntas sem respostas, o produtor do documentário pede a reabertura das investigações a respeito da facada sofrida por Jair Bolsonaro. Para isso, ele observa que a cicatriz do ataque teria, inclusive, mudado de lugar no abdômen do hoje presidente da República. Sobre essas questões e as dificuldades de se produzir uma reportagem nos tempos atuais, Joaquim de Carvalho conversa com a reportagem do Portal Comunique-se.

 

 

Confira, abaixo, a íntegra da entrevista com o jornalista Joaquim de Carvalho:

 

 

 

 

 

 

 

PRÉ-PRODUÇÃO

Quando e por que surgiu o interesse em se dedicar à produção de um documentário sobre o caso da facada sofrida por Jair Bolsonaro?

Eu e o Leonardo Attuch [fundador e diretor de redação do Brasil 247] conversamos sobre o projeto em julho deste ano, depois que Jair Bolsonaro explicou mais uma vez politicamente o episódio, ao relacionar o Adélio a partidos políticos. É um direito dele, mas, da parte da imprensa, era um dever apurar o episódio, inclusive sobre a militância política do Adélio.

Foi o que fizemos e a afirmação categórica que posso fazer é: Adélio não era mais um militante de esquerda. Pela postagens no Facebook, é possível ver que suas ideias estão próximas do bolsonarismo. Ele, por exemplo, defende enfaticamente o projeto de emenda constitucional que tem Bolsonaro como um dos autores e que reduziria a maioridade penal. Adélio chega a usar a expressão “cidadão de bem” e pede a Deus bênção aos policiais militares.

Quais foram as maiores dificuldades enfrentadas para conseguir tirar o projeto do papel e, assim, realizar o documentário?

A primeira dificuldade é o financiamento. O 247, como fizemos em outras ocasiões, recorreu ao financiamento coletivo. E a comunidade maravilhosa do site e do canal apoiou o projeto. Outra dificuldade é a reação das pessoas envolvidas (não estou falando de forma pejorativa) no episódio. Poucas falaram. Mas as que falaram deram boas informações.

Há meses, você e o Brasil 247 já haviam anunciado o interesse de produzir uma grande reportagem sobre a história da facada. Vocês chegaram a receber ameaças?

Ameaças por rede social — na verdade, xingamento. Mas nada que nos intimide. Uma pessoa me agrediu quando fazia a reportagem [o momento é exibido no documentário]. E duas chamaram a polícia. Talvez por medo da repercussão do caso.

O caminho da imprensa independente é o financiamento do público

Joaquim de Carvalho sobre a participação do público em prol do jornalismo

Você e o Brasil 247 fizeram questão de valorizar a participação do público para a realização desse trabalho. Acredita que cada vez mais a imprensa, seja ela nativa digital ou oriunda de plataformas tradicionais, deve investir em projetos de financiamento coletivo?

Eu não tenho dúvida disso. O caminho da imprensa independente é o financiamento do público. O ideal é o maior número de assinantes, e isso tem ocorrido. Assim, no futuro, talvez não precisemos captar por projeto, mas ter um orçamento que garanta a realização de reportagens investigativas. 

Para a produção desse documentário, quantas pessoas colaboraram com o programa de financiamento coletivo? Qual foi o valor arrecadado?

Arrecadamos cerca de R$ 67 mil (acima do que pedimos, que foi R$ 60 mil). A diferença tem sido usada para produzir os ‘Dossiês 247’, em que tratamos de temas relevantes, como a economia chinesa, país que é o maior parceiro comercial do Brasil.

joaquim de carvalho - documentário sobre facada de bolsonaro
O jornalista Joaquim de Carvalho. (Imagem: Divulgação)

SOBRE O DOCUMENTÁRIO

No documentário, você mostra que: Adélio Bispo foi filiado ao PSD e esteve num clube de tiro em Santa Catarina no mesmo dia em que Carlos Bolsonaro passou por lá. Acredita que a imprensa, em geral, falhou em não se atentar a essas questões?

Encontramos no inquérito um documento em que Adélio pede em carta protocolada no PSD desfiliação do partido. Ele também tinha em seus pertences o cartão do deputado Marcos Montes, que é bolsonarista, embora filiado ao PSD, e hoje faz parte do governo, como número 2 do Ministério da Agricultura.

O PSD reclamou. Disse que ele [Adélio] não foi formalmente filiado. Sim, mas era um filiado de fato. A carta de desfiliação é do final de 2016. Ele tinha se desligado formalmente do PSOL em 2014. A imprensa falhou. Comprou a narrativa do “militante-de-esquerda-que-tentou-matar-Bolsonaro”.

Agentes da Polícia Federal que acompanhavam Bolsonaro no dia da facada e foram promovidos. Presença de “seguranças voluntários”. O segurança Renato que surgiu com a faca que teria sido usada pelo Adélio. Cicatriz que teria mudado de lugar. A dona do clube de tiro que se tornou próxima da família Bolsonaro. De tudo que você apurou, o que mais te chamou a atenção nessa história?

O que pode desvendar o caso é uma perícia nas cicatrizes e a análise do prontuário do Hospital Albert Einstein, que não foi entregue à Polícia Federal (PF). Por isso, tecnicamente, o que mais me chamou a atenção é a mudança de lugar da cicatriz. Também me chamou a atenção a militância de direita do Adélio. Outra coisa que eu destaco: a presença de Adélio e Carlos Bolsonaro no clube de tiro, no mesmo dia. A polícia teria que ter investigado isso, inclusive com análise de câmeras.

Para quem assistiu ao documentário fica evidente que em Juiz de Fora (MG) a história é considerada tabu. Enquanto jornalista, como foi o seu trabalho em conseguir convencer as pessoas envolvidas no caso a concederem entrevistas?

Muita gente se recusou a falar. Mas eu insisti, fiz plantão na porta de casas. Pelo menos 10 pessoas que procurei não falaram comigo. Mas eu apurei histórias consistentes sobre elas. E o que pude afirmar está no documentário.

Houve fakeada no sentido de que a história narrada oficialmente é falsa

Joaquim de Carvalho sobre o ocorrido com Bolsonaro em 2018

Em mais de uma passagem do documentário, você cita o nome de Gustavo Bebianno (ex-aliado de Bolsonaro que morreu em 2020) e destaca que ele reforçava o fato de Carlos Bolsonaro ter feito questão de ir à viagem a Juiz de Fora. Você acredita que Bebianno tinha algum segredo a respeito do episódio da facada?

Acredito que sim. E aproveito a entrevista para novamente fazer um apelo. Se ouviu de Bebianno algo ou se tem algum documento, me procure. Meu e-mail é joaquim@brasil 247.com.br.

Por tudo que foi apurado e, consequentemente, exibido no documentário… para você, Jair Bolsonaro foi vítima de uma facada ou “fakeada”?

Houve fakeada no sentido de que a história narrada oficialmente é falsa — Adélio não tinha uma ideologia “diametralmente oposta” à de Bolsonaro. Quanto ao que ocorreu no calçadão da Halfeld [via de Juiz de Fora], não tenho elementos para fazer nenhuma afirmação por enquanto. Se houve facada por iniciativa de um “louco solitário”, se foi uma facada armada pelo próprio bolsonarismo, se não houve nada, se foi facada leve. Tudo isso estou apurando. Mas o caso como apresentado oficialmente não fecha.

joaquim de carvalho - redação do brasil 247
O jornalista na redação do portal Brasil 247, em São Paulo. (Imagem: Divulgação)

CRÍTICAS E REPERCUSSÃO

Após a divulgação do documentário no YouTube da TV 247, o deputado federal Alexandre Frota (PSDB-SP) avisou que pedirá a abertura de uma CPI para apurar o caso. Acredita que esse trabalho poderá, sim, fazer o caso voltar a ser discutido entre autoridades?

A CPI deveria ser aberta, e ela poderia esclarecer tudo. Espero que os deputados enfrentem o tema. Quem não deve não teme. Seria muito interessante ouvir o Adélio (eu pedi a entrevista, mas a Justiça não autorizou) e analisar prontuário, a cicatriz e aprofundar o que houve no clube .38.

Além do Frota, alguma outra autoridade se manifestou em relação a uma possível reabertura do inquérito sobre a facada?

Não, o que é uma decepção. Por que não querem investigar?

Em quatro dias no ar, o documentário registra mais de 800 mil visualizações no YouTube. Independentemente do teor do material, você acredita que ele serve para provar que há demanda para o consumo de grandes reportagens em canais digitais?

Sem dúvida, há essa demanda.

Espero que os deputados enfrentem o tema. Quem não deve não teme. Seria muito interessante ouvir o Adélio

Joaquim de Carvalho sobre a possibilidade de abertura de CPI

Sam Pancher (Metrópoles), Rafael Moro Martins (The Intercept Brasil) e Kiko Nogueira (DCM) criticaram o documentário. Em geral, sugeriram que você teria ajudado a propagar teorias da conspiração. Moro Martins chegou a falar em “canalhice” de sua parte. O que dizer a esse tipo de crítica?

Lamento e acho um retrato da pobreza de setores da nossa imprensa. Em vez de me atacarem, por que não apuram o caso? Acho que é resultado de uma certa inépcia misturada à preguiça. A imprensa ficou muito adjetiva, pouco substantiva. Precisamos fazer renascer a reportagem. Ela é a razão da imprensa.

Diante da audiência, das críticas e da possibilidade de abertura de uma CPI, acha possível a produção de uma “parte II” do documentário?

 

 Fonte: Portal Comunique-se

 

Sim, queremos fazer a parte II.

Marcel Ávila/Prefeitura de Pelotas-RS Fonte: Agência Câmara de Notícias

Levantamento da Consultoria Mais Diversidade mostra que as empresas têm falado mais sobre inclusão, mas a realidade ainda é outra. Pelo menos 20% dos trabalhadores têm medo de expor e sofrer consequências por conta de sua orientação sexual e identidade de gênero

O ambiente nas empresas ainda não é acolhedor com a comunidade LGBTQIA+. De acordo com uma pesquisa da consultoria Mais Diversidade, até 55% dos trabalhadores LGBTQIA+ falam tranquilamente sobre sua orientação sexual e identidade de gênero com todos os colegas. Mas 20% dos entrevistados afirmam que, ainda hoje, não conversam com ninguém sobre o tema com medo da exposição e das consequências no trabalho. 

Esse índice fica ainda maior quando questionados sobre a abordagem da orientação sexual e identidade de gênero com os chefes. Ao menos 85% dos profissionais disseram não falar explicitamente sobre o assunto com as suas lideranças. Na análise do coordenador do Coletivo LGBT do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Anderson Pirota, isso ocorre porque os desafios aumentam ainda mais para o trabalhador LGBTQIA+. “Além de provar que tem uma certa formação para exercer determinada função dentro de uma empresa, ele ainda tem que provar que é competente tanto ou até mais que um outro trabalhador”, analisa ao repórter Jô Miyagui do Seu Jornal, da TVT. 

Na pesquisa “O Cenário Brasileiro LGBTI+”, 55% responderam que ter LGBTs em cargos executivos “é muito importante”, e 45% entendem que as empresas precisam dar oportunidades de desenvolvimento de carreira. Especialistas consultados pela reportagem afirmam que as empresas têm discutido inclusão, mas a realidade é diferente. 

 

Combate à LGBTFobia

O advogado Isaac Porto alerta que a possiblidade do trabalhador expressar quem ele realmente é “permite inclusive que ele desenvolva muito mais as suas habilidades. Porque a energia que você gasta se escondendo e preocupado com comentários, olhares, posicionamentos institucionais ou pequenos comportamentos pessoais que fazem diferença no dia a dia. Tudo isso limita imensamente justamente as possiblidade de crescimento de entrega do profissional.” 

A avaliação é que as empresas têm um papel importante na diminuição da LGBTfobia. Principalmente nesse momento em que, graças à atuação de movimentos sociais, parte da população abraçou a causa LGBTQIA+. Mas a ascensão do conservadorismo também acentuou o preconceito em outra parte da sociedade. 

 

Fonte: Rede Brasil Atual

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