O Sindicato dos Trabalhadores em Telemarketing de São Paulo (Sintratel-SP) participou, no dia 5 de março de 2026, do “Encontro: Discussão do Adoecimento no Teleatendimento/Telemarketing”, promovido pela Fundacentro. Realizado presencialmente no auditório da instituição, em São Paulo, o evento reuniu representantes sindicais, especialistas e autoridades para debater as condições de trabalho no setor, os impactos do adoecimento ocupacional e os desafios da fiscalização e da negociação coletiva.
Veja a íntegra do evento:
A mesa de debates contou com a participação de Marco Aurélio, presidente do Sintratel-SP; Remígio Todeschini, diretor da Diretoria de Conhecimento e Tecnologia da Fundacentro; Crislaine Pereira Carneiro, presidente do Sintratel-RS; Vivian dos Santos Queiroz, presidente do Sintratel Campinas e Região; Anderson Borja da Câmara, presidente do Sintratel-CE; e Eduardo Martinho Rodrigues, representante técnico da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) na Comissão Tripartite Paritária Permanente (CTPP).
Durante sua intervenção, Marco Aurélio destacou que a principal pauta do Sintratel é a defesa da manutenção do Anexo II da NR-17, norma fundamental para a proteção da saúde dos trabalhadores do teleatendimento. Segundo ele, o setor de telemarketing no Brasil emprega entre 1,4 e 1,6 milhão de pessoas, sendo uma importante porta de entrada para jovens e para a diversidade no mercado de trabalho. No entanto, apesar da geração de empregos, a atividade também apresenta altos índices de adoecimento ocupacional.
“Nosso papel aqui é defender a manutenção do Anexo II da NR-17. Sabemos da importância dessa norma para a proteção da categoria. Foi uma grande conquista em 2007 e precisamos garantir que ela continue existindo e seja atualizada para a nova realidade do mundo do trabalho”, afirmou.
Marco Aurélio ressaltou que as transformações tecnológicas no setor, com a expansão do atendimento digital por WhatsApp, e-mail e chat, trouxeram novos desafios que ainda não estão plenamente contemplados na norma. Para ele, é urgente discutir a regulamentação dessas atividades para evitar sobrecarga e garantir condições de trabalho mais humanas.
“Hoje há trabalhadores atendendo quatro ou cinco clientes ao mesmo tempo em diferentes plataformas. Não existe uma regra clara para isso. Precisamos regulamentar o setor de call center e atualizar o Anexo II da NR-17 para proteger também esses novos formatos de atendimento”, destacou.
Durante o encontro, o Sintratel-SP apresentou dados do seu departamento jurídico que evidenciam o impacto das condições de trabalho na saúde da categoria. Problemas vocais, auditivos e de visão, além de doenças físicas como tendinite e bursite, ainda ocorrem com frequência, embora tenham diminuído após a criação do Anexo II da NR-17.
Por outro lado, cresce de forma preocupante o número de casos de adoecimento psíquico entre os trabalhadores. Em 2024, das 225 denúncias recebidas pelo Sintratel-SP, 137 estavam relacionadas ao descumprimento do Anexo II da NR-17. Já em 2025, o sindicato registrou 228 denúncias, sendo 127 referentes ao descumprimento da norma.
Os dados reforçam a necessidade de fortalecer a fiscalização, atualizar as regras de proteção e ampliar o debate sobre saúde no setor. Para o Sintratel, garantir condições dignas de trabalho no teleatendimento é essencial para preservar a saúde de uma categoria numerosa e estratégica para a economia brasileira.



