Como presidente do Sintratel, manifesto minha veemente condenação aos ataques e ao sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, assim como a qualquer ação externa que viole a soberania de uma nação. Considero esse tipo de prática absolutamente inaceitável e extremamente perigosa, pois afronta princípios básicos do direito internacional, da autodeterminação dos povos e da convivência pacífica entre os países.


Reafirmo que não há qualquer justificativa para a violação da soberania de um país. Quando se tolera esse tipo de ação, abre-se uma brecha para precedentes inimagináveis. Se todas as nações que se julgarem no direito passarem a invadir outras regiões, intervir em governos eleitos ou capturar lideranças políticas, o mundo caminhará para o caos permanente, com o completo enfraquecimento das normas que sustentam as relações internacionais.


Denuncio, ainda, que o pretexto utilizado pelos Estados Unidos para atacar e tentar justificar uma invasão da Venezuela foi a suposta ligação do presidente Nicolás Maduro com o narcotráfico. Trata-se de acusações graves, feitas sem a apresentação de provas concretas e sem respaldo em decisões de organismos internacionais competentes. Esse tipo de narrativa, além de irresponsável, serve apenas como instrumento político para criminalizar governos que não se submetem aos interesses das grandes potências.


Não posso aceitar o discurso hipócrita de que tais ações tenham como objetivo implantar “democracia”. A história recente demonstra, de forma clara, que intervenções desse tipo estão muito mais ligadas a interesses econômicos e geopolíticos, especialmente ao controle de riquezas naturais estratégicas. No caso da Venezuela, é evidente que o foco nunca foi a democracia, mas sim o petróleo, em uma postura que remete aos piores exemplos de pirataria moderna.


Defendo que o povo venezuelano tem o direito legítimo de decidir seu próprio destino, sem ingerências externas, sem bloqueios, sem sanções criminosas e sem ações clandestinas promovidas por potências estrangeiras. Ataques, operações de desestabilização e sanções unilaterais são práticas condenáveis, incompatíveis com qualquer discurso de defesa dos direitos humanos ou da democracia.

Acredito firmemente que conflitos entre nações devem ser resolvidos por meio do diálogo, da diplomacia e do respeito aos organismos internacionais, e não pela imposição da força ou pela lógica do mais forte.

Lideranças políticas que incentivam ou legitimam esse tipo de ação precisam ser responsabilizadas. Quando há crimes, o caminho correto é a investigação e o julgamento, pois é assim que se procede em um mundo que se diz civilizado. Donald Trump, por exemplo, precisa responder por seus atos, como ocorre com qualquer criminoso.
Por fim, reafirmo o compromisso do Sintratel e do movimento sindical com a paz, a soberania dos povos e a solidariedade internacional. Minha luta é pela democracia real, pelos direitos dos trabalhadores e pelo respeito entre as nações. Atacar a soberania de um país é atacar o direito de todos os povos à liberdade e à autodeterminação.