Estudo aponta que 8,8 milhões de brasileiros de 14 a 29 anos estavam sem trabalhar e estudar no segundo trimestre de 2026; maioria realiza outras atividades ou busca oportunidades

O número de jovens brasileiros sem trabalho e fora da escola caiu para o menor contingente dos últimos dez anos. Segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do IBGE, 8,8 milhões de pessoas entre 14 e 29 anos estavam nessa situação no segundo trimestre de 2026, o equivalente a 17,9% dessa faixa etária.

O resultado representa uma redução expressiva em relação a 2020, quando o número ultrapassou 14,5 milhões de jovens. De acordo com o DIEESE, a queda está relacionada principalmente à melhora da atividade econômica e ao aquecimento do mercado de trabalho, especialmente no emprego formal.

O estudo também questiona o uso da expressão “geração nem-nem”, que pode transmitir a ideia de que esses jovens não procuram oportunidades ou não desenvolvem outras atividades. Para o departamento, o termo mais adequado é “sem-sem”, pois os dados mostram que grande parte desse grupo está ativa, seja na busca por emprego, nos estudos não regulares ou nos afazeres domésticos.

Pelo menos 60% desses jovens estavam envolvidos em outras atividades. Entre as mulheres que não trabalhavam nem estudavam, 44% apontaram os cuidados com a casa, os filhos ou outros familiares como motivo para estarem nessa condição. Entre os homens, 33% estavam procurando emprego. Apenas 2% dos jovens disseram não querer trabalhar.

Desigualdade e desafios no mercado de trabalho

O levantamento também evidencia as dificuldades enfrentadas pela juventude para ingressar e permanecer no mercado de trabalho. Embora a taxa de desocupação entre os jovens tenha caído para 10%, o menor nível da série histórica da Pnad Contínua, a remuneração continua sendo um desafio.

O rendimento médio dos jovens ocupados foi de R$ 2.459, valor 32% inferior ao recebido pelos trabalhadores com 30 anos ou mais. Além disso, 41% dos jovens ocupados ganhavam até um salário mínimo, enquanto quase metade, 48%, tinha vínculo formal regido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Segundo o DIEESE, a condição socioeconômica também influencia as oportunidades. Jovens de famílias mais pobres enfrentam maiores dificuldades na transição entre a escola e o mercado de trabalho, enquanto aqueles que vivem em domicílios com melhores condições financeiras têm mais possibilidades de continuar estudando após o ensino médio.

O estudo ressalta ainda que ficar sem trabalho e fora da escola costuma ser uma situação transitória, associada, entre outros fatores, à maior exposição dos jovens a empregos precários, instáveis e com alta rotatividade.

Os dados reforçam a importância de políticas públicas que ampliem o acesso à educação, à qualificação profissional e ao emprego decente, com remuneração adequada e direitos garantidos, para que os jovens possam construir trajetórias profissionais com mais oportunidades e segurança.

 

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