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A construção de um grande Brasil depende de todos nós. Vamos ser práticos: a eleição é o grande momento de um país. Temos que aproveitar esta oportunidade. Vou usar até uma frase do compositor Geraldo Vandré: "Quem sabe faz a hora, não espera acontecer". Chegou a nossa. Vamos botar a mão na massa.

O desafio que temos pela frente é grande. No governo Jair Bolsonaro (PL) foram abertos 2.061 clubes de tiro, quase um por dia, e nenhum curso de qualificação profissional, pelo menos que tenha sido divulgado. Temos cerca de 47 milhões de jovens de 15 a 29 anos completamente abandonados, especialmente nas periferias.

Nesse contexto, chegam ao nosso país dois grandes fenômenos de inovação tecnológica: a revolução 4.0 e o 5G, desdobramentos capitalistas que abrirão as portas para os futuros empregos. E também a eliminação de muitos outros. A nossa UGT (União Geral dos Trabalhadores) já está fazendo contatos com empresários e demais entidades de trabalhadores para pensar nas empresas do futuro.

Com a definição das eleições, não interessa quem for eleito, vamos buscar o diálogo, especialmente no Congresso, onde são feitas as leis. Temos um país completamente destroçado, mergulhado em graves problemas econômicos, sociais, políticos, ambientais e de segurança —e armado como nunca. O governo apresentou um aumento fantasia do PIB (1,2%), que não se sustenta.

As cidades vivem o caos, com dificuldade no atendimento básico à população, especialmente em transporte, saúde e educação. Quase todos os municípios estão falidos, com dificuldades para pagar salários e aposentadorias.

Mas ninguém reclamou quando Jair Bolsonaro (PL) e o Congresso, especialmente o centrão, montaram o fundo eleitoral de R$ 4,9 bilhões, com dinheiro de saúde, educação e projetos sociais. E olhem a curiosidade: só o fundo eleitoral é maior do que o PIB (Produto Interno Bruto) de 96% das cidades brasileiras. Ninguém foi contra. Mesmo com todo esse dinheiro, até agora os 156 milhões de eleitores não sabem exatamente o que pensam os candidatos.

O 5G promoverá o uso de tecnologias na indústria, no agronegócio, no comércio e nos serviços. Para que tudo isso funcione, é preciso qualificação e requalificação profissional em grande escala e custos monumentais. Dinheiro tem. A questão é estabelecer as prioridades.

Temos que imitar países que estão investindo na formação de capital humano como forma de trazer empregos de qualidade — caso da Índia, que é o país do mundo que mais investe em inovação e capacitação. Cerca de 700 mil empresas já estão nessa área. Uma centena delas, pelo menos, tem valor de mercado acima de US$ 1 bilhão. No Brasil, não temos mais de 20, produto de um país parado há muito tempo.

Qualquer que seja o partido vencedor nas eleições, uma de nossas grandes tarefas é lutar pela capacitação profissional de todos os trabalhadores. É preciso que estejam preparados para serem incluídos no mercado de trabalho diante dessa realidade futurística que muitos desses jovens não conhecem nem na ficção do desenho animado dos Jetsons, dos anos 1960, grande diversão e fantasia da minha infância.

Está mais do que na hora de unirmos esforços para a construção desse novo Brasil.

 

Artigo publicado no jornal Folha de São Paulo em 29/09/2022

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