Vereadora Erika Hilton na abertura da segunda unidade da Casa Florescer – Foto: Mandato Erika Hilton

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Partidos de esquerda investem duas vezes mais, em média, em candidaturas LGBT+ do que partidos de centro e direita somados


O “Diagnóstico LGBT+ na Pandemia”, publicado em 2021 pelo coletivo #VoteLGBT e a Box 1824, apontou que 55,19% das pessoas LGBTQIA+ tiveram uma piora no campo da saúde mental e 54,92% foram classificadas como risco de depressão mais severa. Os dados são comparativos entre o primeiro e segundo ano da pandemia de Covid-19.

Já o Dossiê de Mortes e Violências contra LGBTI+ no Brasil, publicado em parceria entre Acontece Arte e Política LGBTI+, GGB, ABGL e ANTRA, apontou um aumento de 33,33% de morte de pessoas LGBTQIA+ no Brasil em 2021, em relação ao ano anterior. 82,91% dos casos foram computados como homicídio.

Há, porém, na visão de ativistas e políticos, um cenário mais otimista surgindo. A segunda parcial do “Programa Voto com Orgulho”, da Aliança Nacional LGBTI+, registrou um aumento de 70% de pré-candidaturas LGBTQIA+, em apenas 20 dias. São 125 pré-candidaturas registradas, um número significativo em se tratando de uma eleição com menos vagas eletivas.

“Precisamos aumentar essa representatividade com pessoas com lugar de fala e pessoas aliadas, para enfrentarmos o discurso de ódio LGBTIfóbico apregoado por fundamentalistas religiosos e extremistas”, afirmou o presidente da Aliança Nacional LGBTI+ Toni Reis, durante o lançamento da parcial do “Programa Voto com Orgulho”.

Representatividade Trans

Chama atenção ainda o número de pré-candidatura de pessoas trans para a Câmara dos Deputados, esfera estadual do legislativo que, até hoje, não conta com nenhuma representação trans.

A reportagem de NÓS identificou pelo menos seis pré-candidatas: Erica Malunguinho (Psol-SP), Erika Hilton (Psol-SP), Symmy Larrat (PT-SP), Paula Benett (PSB -DF), Robeyonce Lima (PSol-PE) e Ariadna Arantes (PSB-SP). Em Minas Gerais, mesmo sem ter confirmado a pré-candidatura, Duda Salabert (PDT) aparece em segundo lugar nas pesquisas para o Senado.

Segundo mapeamento da ANTRA, Associação Nacional de Transexuais e Travestis, nas eleições municipais de 2020, 30 pessoas trans foram eleitas, sendo que sete delas foram as mais votadas em suas cidades. Quatro anos antes, apenas oito chegaram às câmaras municipais. Ou seja, a tendência é um aumento de pessoas que carregam consigo pautas que, muitas vezes, nunca são levantadas nos espaços institucionais.

“Hoje, nós temos um sistema político bastante conservador. A partir do momento que nós tivemos um processo eleitoral em que algumas pessoas trans conseguiram ocupar seus cargos, trouxe à tona justamente a questão da renovação de possibilidades e de oportunidades para a população LGBTQIA+”, explica Alberto Silva, CEO da Casa Florescer, um centro de acolhida para popoulação Trans na cidade de São Paulo.

Alberto relata ainda a força da representatividade de pessoas trans na política. “De certa forma, para nós, é uma luz no fim do túnel entender que pessoas LGBTQIA+ podem ocupar esse lugar e tentar desenhar outras possibilidades para os mais invisibilizados pelo sistema”, diz.

Publicada em 17 de maio de deste ano, o levantamento “A política LGBT+ brasileira – entre potências e apagamentos”, do #VoteLGBT com a ERA – Equal Rights In Action Fund, Victory Institute e Google, mostra que, apesar de esforços de todos os partidos em se mostrarem pró-diversidade, os partidos de esquerda são os maiores apoiadores e financiadores das candidaturas.

“Partidos de esquerda investem duas vezes mais, em média, em candidaturas LGBT+ do que partidos de centro e direita somados”, consta no relatório que traz ainda o dado de que 65% das candidaturas LGBT+ estão em partidos de esquerda.

Primeiro voto

Em 2018, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) publicou a portaria n°1/2018, que garante o nome social no Título de Eleitor, permitindo que uma boa parte da população fosse às urnas pela primeira vez.

Kaio Igor Vasconcellos, estudante de pré-vestibular e designer gráfico, que mora em Slavador (BA), é uma dessas pessoas. Aos 25 anos, votará pela primeira vez em 2022 com o nome que escolheu. “O uso do nome social é de extrema importância para mim, pois ainda não possuo os documentos retificados. Com o título, posso exercer o meu papel na democracia através de como me identifico e me reconheço”, diz.

O jovem explica, também, a importância de observar o plano de governo de quem vai eleger.

“Não se trata só do candidato, mas do projeto político e de sociedade, principalmente que paute a inclusão e a defesa dos nossos, a juventude negra e LGBTQIA+, e, principalmente, a população trans, que vive na mira da fome, da morte, da precarização. Precisamos escolher aqueles que nos representam e que tenham trabalhado, de fato, para mudar a realidade”, afirma.

Fonte: Redação Nós

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